BCAA é a sigla em inglês para aminoácidos de cadeira ramificada (branched chain amino acids) constituído por Leucina, Isoleucina e Valina.
Sendo assim as
necessidades nutricionais diárias são dependentes de fatores como intensidade, frequência,
duração e tipo de atividade/ exercício, bem como composição corporal, idade,
sexo e nível de treinamento dos indivíduos, os quais a tornam um tópico de
discussões bastante complexa. Sendo assim, a nutrição torna-se um fator
importante para que os objetivos estabelecidos no planejamento sejam mais
facilmente atingidos.
O papel das proteínas e dos aminoácidos na atividade física
durante longo tempo não recebeu a devida importância. Estudava-se
principalmente o metabolismo de carboidratos e gorduras, sendo as proteínas
bastante ignoradas. O interesse aumentou consideravelmente a partir da década
de 70, quando evidências foram apresentadas de que o exercício afeta o
metabolismo de proteínas/aminoácidos, e que esses contribuem significativamente
no rendimento durante o exercício prolongado.
O uso de aminoácidos de forma suplementada tem sido bastante
difundido entre praticantes de exercícios e atletas de diversas modalidades.
Tornou-se foco de estudo de pesquisadores das áreas da nutrição e da fisiologia
do exercício, principalmente, com o intuito de desvendar quais os possíveis
efeitos sobre a performance e a composição corporal, bem como sobre a saúde dos
indivíduos que fazem uso deste tipo de nutriente.
Aminoácido de cadeia
ramificada – BCAA.
Os aminoácidos de cadeia ramificada
conhecida como BCAA . De todos os aminoácidos isolados consumidos, apenas os
aminoácidos essenciais apresentam uma sustentação teórica para a sua
administração. Eles não são sintetizados no organismo humano devendo, por isso,
ser ingeridos na dieta ou na forma de suplementos dietéticos, os quais são
apresentados na forma de cápsulas, comprimidos, pó, tabletes e na forma
líquida. Nos alimentos, podem ser encontrados nas carnes e outros produtos de
origem animal, ricos em proteínas.
Pouco se sabe a respeito das dosagens diárias
recomendadas. Dessa forma, foram encontradas pesquisas envolvendo crianças e
adultos que sugerem proporções que vão de 77 a 154 mg/kg/dia, bem como estudos
que sugerem a não utilização de suplementação de BCAA para atletas, devido a
carência de evidências consistentes a respeito do tema.
Possíveis efeitos da
suplementação com BCAA
Ação anabólica e anticatabólica
Os estudos realizados com indivíduos fisicamente ativos
ou não, sugerem que a suplementação com BCAA, antes ou imediatamente após o
exercício, pode estimular a síntese protéica e diminuir danos ao tecido
muscular, devido ao fato de a suplementação suprir as necessidades dietéticas
destes aminoácidos, preservando os estoques musculares.
Em estudo de revisão realizado por Blomstrand et al.
(2006), os BCAA, particularmente a leucina, podem apresentar efeitos anabólicos
no metabolismo de proteínas, aumentando significativamente a taxa de síntese e
diminuindo a taxa de degradação de proteína na musculatura em repouso, após o
exercício. Os BCAA apresentam efeitos anabólicos no músculo humano durante a
fase de recuperação, após exercícios de resistência, porém durante os
exercícios, os respectivos efeitos não são claros, necessitando maiores estudos.
Envolvimento na resposta
imunológica
Durante exercícios de resistência, há uma
diminuição dos níveis plasmáticos de glutamina, cuja função principal é servir
de fonte de energia para importantes células do sistema imunológico. Já que os
BCAA servem de substrato para a síntese de glutamina, sua administração após o
exercício aumentaria as concentrações da mesma, diminuindo assim a incidência
de infecções nos atletas.
Retardo da fadiga central
em exercícios prolongados
Alguns estudos apontam efeitos que colocam em discussão
a administração desse suplemento com o intuito de retardar a fadiga central e
verificaram um aumento da concentração plasmática de amônia em decorrência da
ingestão de altas doses de BCAA. Esta pode ser tóxica ao cérebro e também
afetar negativamente o metabolismo muscular.
Alguns autores dizem que “não se sabe ao certo a
quantidade de BCAA necessária para impedir a entrada de triptofano no cérebro;
quantidades muito elevadas são mal toleradas e prejudiciais, atrasam a absorção
de líquidos e contribuem para a desidratação”. Ou seja, em doses altas existe a
possibilidade de transtornos gastrintestinais como a diarreia, bem como
comprometimento da absorção de outros aminoácidos.
A suplementação com os aminoácidos de cadeia ramificada
(BCAA) pode ser benéfica, ingerido sozinho ou associado a outros nutrientes, se
confirmada à necessidade e, desde que com acompanhamento de profissionais da
área da saúde, como médicos e nutricionistas.
Considerando-se todo o potencial de informações a
respeito deste tema, notaram-se algumas discordâncias entre os estudos,
observando-se que o conhecimento sobre seus efeitos geram algumas dúvidas, sobretudo
quanto ao uso por períodos prolongados.
Com relação aos efeitos da suplementação de BCAA, fica
bastante clara a necessidade de que mais pesquisas científicas sejam
realizadas, pois a discussão está longe de ser esgotada.
Fonte: Rogero MM, Tirapegui J. Aspectos atuais sobre
aminoácidos de cadeia ramificada e exercício físico. Revista Brasileira de
Ciências Farmacêuticas.vol. 44, n. 4, out./dez., 2008
Fonte: DeNutri.
Danusa Ribeiro Simão – Pós Graduanda em FISIOLOGIA DO EXERCÍCIO
Naiara Alves – Pós Graduanda em NUTRIÇÃO CLINICA - METABOLISMO,
PRÁTICA E TERAPIA NUTRICIONAL.
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